segunda-feira, 7 de agosto de 2017

«Mestre, é bom estarmos aqui»

Pedimos desculpa pela troca de textos.

Agora o Evangelho do passado Domingo. A cena decorre no Monte Tabor, lugar que visitaremos logo no 1º dia da nossa peregrinação.


Transfiguração do Senhor
Dia 6 de Agosto





Evangelho - Lucas 9, 28b-36

Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo S. Lucas

«Naquele tempo, Jesus, levando consigo Pedro, João e Tiago,
subiu ao monte para orar.
Enquanto orava, o aspecto do seu rosto modificou-se,
e as suas vestes tornaram-se de uma brancura fulgurante.
E dois homens conversavam com Ele:
Moisés e Elias, os quais, aparecendo rodeados de glória,
falavam da sua morte, que ia acontecer em Jerusalém.
Pedro e os companheiros estavam a cair de sono;
mas, despertando, viram a glória de Jesus
e os dois homens que estavam com Ele.
Quando eles iam separar-se de Jesus, Pedro disse-lhe:
«Mestre, é bom estarmos aqui. Façamos três tendas:
uma para ti, uma para Moisés e outra para Elias.»
Não sabia o que estava a dizer.
Enquanto dizia isto, surgiu uma nuvem que os cobriu e,
quando entraram na nuvem, ficaram atemorizados.
E da nuvem veio uma voz que disse:
«Este é o meu Filho predilecto. Escutai-o.»
Quando a voz se fez ouvir, Jesus ficou só.
Os discípulos guardaram silêncio e, naqueles dias,
nada contaram a ninguém do que tinham visto.»


Ambiente
A Transfiguração confirma a fé dos Apóstolos, manifestada por Pedro em Cesareia de Filipe, e ajuda-os a ultrapassar a sua oposição à perspetiva da paixão anunciada por Jesus. Quem quiser Seu discípulo, terá de participar nos seus sofrimentos (Mt 16, 21-27).

A Transfiguração é um primeiro resplendor da glória divina do Filho, chamado a ser Servo sofredor para salvação dos homens. Na oração, Jesus transfigura-se e deixa entrever a sua identidade sobrenatural.

Moisés e Elias são protagonistas de um êxodo muito diferente nas circunstâncias, mas idêntico na motivação: a fidelidade absoluta a Deus. A luz da Transfiguração clarifica interiormente o seu caminho terreno.

Quando a visão parece estar a terminar, Pedro como que tenta parar o tempo. É, então, envolvido com os companheiros pela nuvem. É a nuvem da presença de Deus, do mistério que se revela permanecendo incognoscível. Mas Pedro, Tiago e João recebem dele a luz mais resplandecente: a voz divina proclama a identidade Jesus, Filho e Servo sofredor (cf Is 42, 1).


Meditatio
Jesus manda os seus discípulos rezar. Hoje, toma à parte os seus prediletos, Pedro, Tiago e João, para os fazer rezar mais longa e intimamente. Estes três representam particularmente os pontífices, os religiosos, as almas chamadas à perfeição.

Para rezar Jesus gosta da solidão, a montanha onde reina a paz, a calma, onde pode ver-se a grandeza da obra divina sob o céu estrelado durante as belas noites do Oriente.

A transfiguração é uma visão do céu. É uma graça extraordinária para os três apóstolos. Não nos devemos agarrar às graças extraordinárias que são por vezes o fruto da contemplação. Pedro agarra-se a isso. Engana-se. Queria ficar lá: «Façamos três tendas», diz. Não sabia o que dizia. A visão desaparece numa nuvem.

Há aqui uma lição para nós. Entreguemo-nos à oração habitual, à contemplação. Não desejemos as graças extraordinárias. Se vierem, não nos agarremos a elas. Os frutos desta festa são, em primeiro lugar, o crescimento da fé. Os apóstolos testemunham-nos que viram a glória do Salvador.

«Não são fábulas que vos contamos, diz S. Pedro (2Pd 1, 16), fomos testemunhas do poder e da glória do Redentor. Ouvimos a voz do céu sobre a montanha gritando-nos no meio dos esplendores da transfiguração: É o meu Filho bem-amado, escutai-o».

S. Paulo encoraja a nossa esperança recordando a lembrança da glória do salvador manifestada na transfiguração e na ascensão: «Veremos a glória face a face, diz, e seremos transfigurados à sua semelhança» (2Cor 3, 18). – Esperamos o Salvador, Nosso Senhor Jesus Cristo, que transformará o nosso corpo terrestre e o tornará semelhante ao seu corpo glorioso» (Fil 3, 21).

Mas este mistério é sobretudo próprio para aumentar o nosso amor por Jesus. Nosso Senhor manifestou-nos naquele dia toda a sua beleza. O seu rosto era resplandecente como o sol. Os apóstolos, testemunhas da transfiguração, estavam totalmente inebriados de amor e de alegria. «Que bom é estar aqui», dizia S. Pedro. «Façamos aqui a nossa tenda».

A beleza de Cristo transfigurado, contemplada pelo pintor Rafael, inspirou-lhe a obra-prima da arte cristã. Nosso Senhor falava então da sua Paixão com Moisés e Elias: nova lição de amor por nós. O Coração de Jesus, mesmo na sua glória, não pensa senão em nós e nos sacrifícios que quer fazer por nós. Lições também de penitência, de reparação, de compaixão pelo Salvador. Porque teve de sofrer tanto para nos resgatar, choremos os nossos pecados, amemos o nosso Redentor, consolemo-lo.
Este é o meu Filho muito amado: Escutai-o. – A voz do Pai celeste diz-nos:
  • “Escutai-o”, palavra cheia de sentido, como todas as palavras divinas. Deus dá-nos o seu divino Filho por guia, por chefe, por mestre. Escutai-o, fala-nos nas leis santas do Evangelho e nos conselhos de perfeição.
  • Fala-vos nas vossas santas regras, se sois religiosos; no vosso regulamento de vida, se sois do mundo.
  • Fala-vos pelos vossos superiores, pelo vosso diretor. Têm a missão para vos dizer a vontade divina.
  • Fala-vos pela sua graça, na oração, na união habitual com ele. A palavra de Deus nunca vos falta, é a vossa docilidade que falta habitualmente.

Esta palavra divina - «Escutai-o» - espera de vós uma resposta. Não basta apenas uma promessa vaga: «hei-de escutar». É preciso uma disposição habitual: «escuto, escuto sempre; falai, Senhor, o vosso servo escuta». Escutarei no começo de cada ação, para saber o que devo fazer e como devo fazê-lo. (Leão Dehon, OSP 4, p. 132s.).

(In, www.dehonianos.org)

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